Como empoderar a instituição quando a diretoria não consegue apoiar a captação de recursos na ONG?

Uma das ferramentas mais importantes para o sucesso da captação de recursos é o apoio direto da diretoria ao setor de captação de recursos. Esse apoio compreende ajuda profissional ao avaliar o planejamento estratégico de captação de recursos feito pela equipe, apoiar as ações com foco no setor empresarial, e os eventos, abrindo portas e indicando contatos, apoiar a implantação da política da doação financeira dentre os diretores – é de cima que vem o exemplo, apoiar a equipe de captação de recursos com cursos de capacitação e acesso à veículos importantes para o setor, acompanhar o executivo de captação de recursos em reuniões estratégicas.

Muitas vezes, na verdade, em sua maioria no Brasil, as ONGs são constituídas por pessoas voluntárias que tem a intenção de ajudar em algo, e não como deveria ser de forma profissional, são convidadas para compor a diretoria, amigos e parentes, fortalecendo o modo “amador” de ser e começar um empreendimento social.

Nesse contexto, a diretoria perde força de apoio profissional às equipes estratégicas e táticas da entidade, enfraquecendo seu potencial de perpetuar o trabalho, expandir, multiplicar-se e captar recursos para se sustentar em médio e longo prazo.

Uma das recomendações da DEARO, quando percebemos esse cenário em nossos clientes, é compor um Conselho Consultivo. Esse equipamento não substitui a diretoria e não tem função de diretoria, mas pode assumir o papel dela frente à captação de recursos e iniciar um processo de empoderamento institucional.

Um Conselho Consultivo é uma ferramenta estratégica poderosa para qualquer ONG que pretenda captar recursos de forma profissional, desde que ela saiba como planejar seu nascimento e seu funcionamento com um regimento adequado, estabelecendo diretos e deveres, frequência e condições de atuação.

Conselheiros desse núcleo devem ser pessoas influentes, proeminentes, empresários, especialistas e profissionais da área que tragam bagagem. Essas pessoas devem ser convidadas pela diretoria ou desejadas após um estudo de mercado, devem receber formalmente um convite claro, o modelo do regimento interno, quais seriam suas tarefas e calendário de datas de reuniões.

A partir do aceite, os conselheiros devem ser tratados como joias na instituição, merecem um pequeno treinamento sobre a atual situação da entidade, materiais de identificação como cartões de visita, email institucional, assinatura de email, como se fosse um diretor.

A entidade deve nomear um(a) secretário(a) executivo(a) que fique à disposição do conselho no dia-a-dia, faça as comunicações de reuniões, as acompanhe para compor as atas, monte as pautas reunindo assuntos desejados dos departamento que precisam de apoio, em especial a captação de recursos, e ainda, mantenha o departamento de captação atualizado sobre as reuniões para que possam participar das mesmas.

A captação de recursos não é um departamento isolado e, ao contrário do que se pensa, não anda sozinho, depende de outros departamentos para obter sucesso e no caso do Brasil, como todos já sabemos, quando não começamos certo, precisamos encontrar uma saída e no meio do caminho, mudar o jogo para ganharmos!

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Fernanda Dearo é especialista em sustentabilidade financeira de ONGs, captação de recursos, patrocínios, eventos para geração de renda, capacitação em captação de recursos. Atua há 24 anos no Brasil na área, possui diversos cases de sucesso. Comanda a DEARO há 16 anos.




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